Cacela a Velha, do largo da Igreja
Reserva da Ria Formosa
Havia panos que nem velas de barcos
estandartes de poesia ao ar
palavras e memórias à solta
banhos de mar e horizontes
Algarve
O mistério do Maro milagre do Sole a graça da paisagem na moldura dos olhose a paz feliz de que tenho o que é meu.Ah, terra bem amadabenção da Natureza caiadade purezae nimbada de saudadeAlgarve. Liberdadedos sentidos.Férias ao Sulda imaginação.Ainda a mesma nação.mas com outros sinais.E a memória tambémde que todo o alémcomeça neste cais.
Uma casa que nem fosse um areal deserto; que nem casa fosse;
só um lugar onde o lume foi acesso, e à sua roda se sentou a alegria;
e aqueceu as mãos; e partiu porque tinhaum destino; coisa simples e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passosde abril
ou, quem sabe?
a floração dos ramos, que pareciam secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia."
Pablo Neruda no bar de sua casa de Isla Negra, Chile (onde escreveu os nomes de todos os seus amigos na estrutura de madeira que aì o acompanham sempre)
este Senhor-poeta jà hà muito me tinha cativado, ainda mais depois de descobrir a pessoa por tràs dos poemas (neste filme e depois pessoalmente quando fui aqui e aqui logo mal cheguei)
mas venho cada dia a descubrir outros autores, atravès de novos livros lidos, atravès da experiëncia da dinämica actividade da Capital Mundial do Livro.
me enamorèem especial deste livro* que Neruda segura nas mäos mostra uma Buenos Aires de outros tempos (que fez lembrar este: Lisboa, cidade triste e alegre) e me mostrou o trabalho desta fotògrafa, Sara Facio que tambèm nos dà a conhecer tantos outros autores, e da vida por tràs das obras publicadas.
outro fotògrafo incrìvel complementa esta visäo de Buenos Aires, Horacio Coppola para conhecer melhor, espreitar aqui
Recentemente a visita surpreendente ao mundo borgeano atravès da exposiçäo Cosmopòlis, (atè Dezembro) outro autor incontornàvel a conhecer e ler aqui.
e jà em jeito de despedida temporària aqui fica uma Buenos Aires cada vez mais vivida que levo comigo
“Buenos Aires nos impone el deber terrible de la esperanza. A todos nos impone un extraño amor, el amor del secreto porvenir y de su cara desconocida”
"la diferencia entre utopía y heterotopía. la utopía es otro mundo. la heterotopía es una pequena distancia con respecto a la realidad que nos permite habitarla de otra manera. No queremos otro mundo, el otro son ellos"
"cómo prolongar y aterrizar lo excepcional en lo normal(?) ... llevarnos el sol con nosotros."
(estos, y otros, apuntes fueran publicados en el blog de Amador Fernández Savater que los quiso compartir con MU como una botella al mar del debate, a la luz de la experiencia argentina de la crisis de 2001...)
Queen Isabella I.: [referring to Columbus' proposed expedition] The costs would be ruinous. Sanchez: No more than the costs of two state banquettes.
(...)
Sanchez: [Columbus stops Sanchez after he leaves an audience with the Queen. Sanchez looks at him, disgusted] You're a dreamer. Columbus: [shooting a glance out of a window] Tell me, what do you see? Sanchez: [pausing to look] I see rooftops, I see palaces, I see towers, I see spires that reach... to the sky! I see civilisation! Columbus: All of them built by people like me. [Sanchez doesn't respond - shocked] Columbus: No matter how long you live, Sanchez, there is something that will never change between us. I did it. You didn't.
(...)
Columbus: Riches don't make a man rich, they only make him busier.
cena do filme após o tornado, formigas atarefadas na reconstrução
_ "The thin red Line", outro filme visto recentemente em tempo de chuvas lá fora
A primeira das seis propostas que Italo Calvino faz para o próximo milénio (este que estamos a viver) é a reconquista da leveza. Se tudo no tempo parece empurrar-nos com ilimitada gravidade para a rasura, temos de entender, então, a leveza como o ato de contrariar esse peso. De facto, somos chamados a “aliviar” a espessura de tudo aquilo que obscurece o texto do mundo e nos obscurece. ... Com Calvino aprendemos duas coisas importantes sobre a leveza: a primeira de todas é que ela nos pede uma arte de resistência, pois só reconquistamos a leveza a custo de uma paciente luta (a maior parte das vezes connosco próprios); a segunda é a necessidade de activarmos a nossa capacidade de deslocação (na verdade, só um olhar peregrino possui a agilidade espiritual para não se deixar sequestrar pelo desânimo) Fixemo-nos na primeira: uma atitude de resistência. A leveza convoca-nos para a redescoberta das fontes profundas e adormecidas do nosso Ser e da linguagem. Num mundo de ruído, de mensagens que se atropelam, de imagens que se devoram (e nos devoram) de tão repetidas e sobrepostas há que combater a banalização. Mergulhados num excesso de signos, nem nos damos bem conta da pobreza simbólica com que construímos, dia a dia, a nossa vida. Tornamo-nos mais consumidores, que criadores. A nossa acção confunde-se com um automatismo que renuncia à vocação que o gesto, a palavra ou o silêncio têm de impregnar o mundo de sentido.
Precisamos de leveza, então.
Isto é, de exactidão. Sim, não se pense que a leveza é simplesmente uma forma mais ligeira de conduzir a realidade, pois ela nada tem de ligeireza ou de superficialidade. Com razão, Calvino cita um verso de Paul Valéry:
«É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma».
«Leve como o pássaro», quer dizer, autêntico, preciso, consistente. A leveza não tem a ver com plumas, mas com a aprendizagem do que é voar, do que é ascender, do que é desprender-se para ser.
A leveza é uma escolha.
A segunda tarefa passa pela sabedoria de não ficar aprisionado a um modo único de olhar a realidade. Italo Calvino explica-a deste modo: «Cada vez que o reino humano me parece condenado ao peso, digo para mim mesmo que […] eu devia voar para outro espaço. Não se trata absolutamente de fuga para o sonho ou o irracional. Quero dizer que preciso mudar de ponto de observação, que preciso considerar o mundo sob uma outra óptica, outra lógica, outros meios de conhecimento e controle». A leveza desafia-nos não a mudar de vida ou a romper com aquilo que estruturalmente somos. Pelo contrário, ela supõe uma aceitação. Mas incita-nos incessantemente a olhar a realidade quotidiana com olhos novos. Escrevia Saramago na conclusão do seu “Viagem a Portugal”: «Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim.
O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite… É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem…».
“ No hay en la vasta biblioteca dos libros idênticos” De esas premisas incontrovertibles dedujo que la biblioteca es total y que registran todas las posibles combinaciones (...) o sea, todo lo que es dable expresar: en todos los idiomas.
Todo: La historia minuciosa del porvir, (...)
Cuando se proclamou que la biblioteca abarcaba todos los libros, la primera impresión fue de extravagante felicidad. Todos los hombre se sentiran señores de un tesoro intacto y secreto. No habia problema personal o mundial cuya elocuente solución no existiera: en algun hexágono. El universo estaba justificado, El universo bruscamente usurpo las dimensiones ilimitadas de la esperanza."
vi uma gigante torre crescer à "porta" de casa; uma grande biblioteca de Babel.
não faltou por lá a presença de Eça e Camões para marcar presença portuguesa e completar a confusão das línguas. (ao longo do percursos ouve-se em todas as línguas do mundo soar a palavra LIVRO)
Baptizada como Biblioteca de Babel, em homenagem a Borges* e à "criatividade e cultura de todos os povos do Mundo" segundo a criadora Marta Minujin,conhecida pelas suas criações "habitáveis" formadas por materiais como almofadas, colchões ou garrafas, que convidam o público a entrar nas obras para as viver.
Esta Torre de Babel lembra uma outra criação de Marta Minujin, o Partenon dos Livros, construído em 1983 em Buenos Aires com títulos proibidos durante a ditadura militar (1976-83), para uma reflexão sobre a censura. E outras peças divertidas como La Menesunda um labirinto com surpresas dignas de um percurso da Alice no País das Maravillas.
No final desta intervenção urbana com concertos e iniciativas literárias todos os dias (hoje ouviu-se Beethoven na Praça San Martin com orquesta completa ao ao livre), na desmontagem os visitantes podem levar um livro à escolha (dos 30.000 doados) e os restantes vão formar a 1ªbiblioteca multilingue de BsAs, uma cidade construída por tantas línguas.
curiosidades
Babel, em hebraico Bavél, significa "confundir"
e da cidade com mais livrarias e alfarrabistas por m2, as minhas livrarias preferidas
"My religion is very simple. My religion is kindness" Dalai Lama
com sessão dubla de outro filme de 1997, bem velhinho do clubvideo da esquina que à partida se diria nada que ver uno y otro mas afinal descubro que sim
dos efeitos do progresso, (que Mao tenta introduzir a todo o custo no Tibete) da perda de valores, do equilíbrio, da valorização do Homem as falhas da sociedade maquinista e da resistência para as ultrapassar
apesar das mudanças em San Telmo, outras, não tão boas como esta, da invasão das marcas (Freddo, Havanna e afins) e do design moderno (tipo Palermo) ainda sobrevive, felizmente, o ambiente dos antiquários tradicionais.
dois palácios do Estado, abrem as portas e dão lugar a exposições. dali dá para espreitar a cidade, e sentir a vontade de um outro futuro, conhecendo os erros do passado...
as crises trazem reflexão, a reflexão mudança. esperemos.
peça de Flávio Cerqueira; "Foi assim que me ensinaram" crítica profunda ao sistema educacional nos dias de hoje
"Outro tem que ser hoje o fim das escolas, genuínos institutos de livre investigação filosófica.(...) Devem preparar os seus alunos para o trabalho pessoal, para a formação do seu espírito, não como simples estudantes de profissão, cuja jornada legal é tão curta, mas como interessados colaboradores dos próprios mestres"
como dizia também Agostinho da Silva, na sua obra luminosa e revolucionária de luta pela educação e cultura.
“Valioso para mim é a noção de que o que importa não é educar, mas evitar que os seres humanos se deseduquem. Cada pessoa que nasce deve ser orientada para não desanimar com o mundo que encontra à volta. Porque cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das idéias... Seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.
(...)
As pessoas todas são diferentes. De maneira que a vida certa (do universo) do mundo inteiro seria que cada um pudesse viver a sua vida e cada um dos outros pudesse ter esse espetáculo extraordinário de ver pessoas diferentes à sua volta e não como tantas vezes acontece, sobretudo em pessoas que gostam de mandar nos países, achar que deve ser tudo igual, e quando aparece alguém diferente se ofendem, acham que está fugindo das regras, saindo da vida que deve ter.”
mais desta conferência Namorando o Amanhã, realizada em maio de 1989, aqui