quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
aqui ainda...
brincam ao berlinde debaixo das árvores
os homens cavalheiros cedem passagem e lugar nos transportes
lêem-se livros de páginas amareladas, em todo o lado
usam lacinho ao pescoço e colete nos cafés de bairro
dança-se ao entardecer no coreto ou na Praça
_ Esta semana começa o ano lectivo
as ruas enchem-se de meninos de batas e galochas coloridas a chapinhar,
ainda é Verão, mas já espreita Outono
- "Flores e Fervor de Buenos Aires" e outro artigo destas terras e gentes
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Tigre
belo domingo no Tigre
típica forma de fugir ao calor da cidade, os comboios apinhados saem de Retiro,
daí a lancha colectiva, autocarros flutuantes em madeira, distribuem pelos canais do Delta
e detrás das verdes costas, casas em estacas, outras palacetes de madeira com docas privadas,
escondem vidas e Verões de banhos de rio
O asadito, o banho, o kayak, o mate, a medialuna, o entardecer no deck, o vai-e-vem dos barcos, as conversas sob as estrelas que da cidade não se deixam ver...
assim se desfez a maldição do Tigre
sábado, 21 de janeiro de 2012
feels like walking in the rain, in Paris..
- outro livro sobre os enigmas da sombra de um autor japonês, Tanizaki
"Tanizaki valora dentro de las sombras su capacidad de absorber el tiempo, el rastro humano, la erosión, la aparición de la vejez y la historia, la metamorfosis de la materia, la profundidad, la quietud y la sabiduría." impressões daqui
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Anuncian chaparrones por la tarde
na rádio ouve-se:
donde ya impezó a llover?
Anuncian chaparrones por la tarde en la Capital Federal
chaparrón
- m. Lluvia intensa que dura poco.
Ao fim de dias pesados de 40º
(misturados com humidade alta e todo o reflexo do cimento, asfalto e poluição dos autocarros e carros velhinhos...)
vem por fim o tempo encoberto
as chuvadas frescas de Verão
até de novo começar a subir...
- efeitos ICU, ilha de calor urbano
- outra imagem sempre fresca de uma artista argentina, com palavras de Pessoa
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
cada dia è uma festa
Queridos Reys Magos,
les pido
bons nascimentos y buena suerte,
bons encontros e boas viagens,
salud y energia para terminar lo que se impezo
e alguns crèditos de paciëncia...
isto è uma fartura, hà feriados e meo-feriados quase toda a semana por fin ano, antes e depois, Ano Novo apareceu com un montòn de feriados novos (14 fins-semana compridos! diz que è para promover o turismo interno)
ainda agora foi Navidad, e agora chegam os Reys que trazem mais prendas e o Verao e fèrias grandes,
è sempre a festejar, celebrar a vida.
logo,
a produtividade è pouca.
- Jà se luta por um lugar à sombra.
apetece um lugar assim ou assim.
- o teclado argentino è preguicoso de acentos...
domingo, 1 de janeiro de 2012
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Foi o ano em Buenos Aires da Capital Mundial do Livro, ano em que conheci melhor Borges
"¿Cuál es la tradición argentina? Creo que podemos contestar fácilmente y que no hay problema en esta pregunta. Creo que nuestra tradición es toda la cultura occidental, y creo también que tenemos derecho a esta tradición, mayor que el que pueden tener los habitantes de una u otra nación occidental ". Jorge Luis Borges
(El escritor argentino y la tradición)
Aqui conversa-se em cada esquina
Aqui ainda existem os teatros de bairro
aqui tudo se re-aproveita. re-utiliza
aqui as crianças brincam na rua
Aqui as tabernas têm pó nas garrafas esquecidas
"Ser cosmopolita no significa ser indiferente a un país y ser sensible a otros. Significa la generosa ambición de ser sensibles a todos los países y todas las épocas, el deseo de eternidad, el deseo de haber sido muchos..."
hoy en día por “cosmopolita” se usa para aquel que se considera ciudadano del mundo.
" Soy un cosmopolita que atraviesa fronteras porque no le gustan." – Jorge Luis Borges
El otro Borges (Buenos Aires: Editorial Equis, 1997).
mais uma vez fui à exposição Cosmopolis
"Cosmópolis" puede ser una utopía de la que era consciente el escritor, pero quizás esa universalidad sea la única verdad que posee el ser humano al margen de razas o nacionalidades: ser ciudadano del cosmos.
- outro Cosmopolis, the film, para 2012
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
888


... é uma pena que as galerias de Antiguidades de San Telmo estejam a fechar...
sente-se a pressão imobiliária, as mudanças a chegar rápido demais a este lado do Oceano
- C de cerró, C de Curiosa
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
História e curiosidades
Documentário "La Gran inmigracion Argentina siglo XX"
parte I _ chegada e condições dos emigrantes
parte II _ crescimento da cidade, o Tango
parte III _ forma de falar, el porteño, as greves
as histórias por detrás dos lugares,do porquê desta mentalidade, desta forma de vida fundada no cruzamento, da troca,
das gentes aventurosas que largaram tudo e que aqui lutaram por estar bem
e qual é o dulce de leche mais antigo?; La Martona ;)«La Martona fue la primera industria láctea de Argentina y la primera que industrializó el dulce de leche. Hasta Jorge Luis Borges escribió sobre ella»
Con variaciones en su composición, también se lo conoce como manjar blanco (Chile, Perú y Bolivia); doce de leite (Brasil); arequipe (Colombia y Venezuela); queso de Urrao (Bolivia); cajeta (México); confiture de lait (Francia); milk jam, milk sweet o caramel spread (en los países de habla inglesa); caramel (Sudáfrica); fanguito (Cuba) y rabadi (India).
domingo, 30 de outubro de 2011
outro tipo de bagagem


El señor de los pájaros, Nayarit, 1984
"Como em quase todas as suas imagens, El señor de los pájaros é uma imagem poética, realizada numa época em que o seu interesse pela cultura popular indígena e a sua relação com as pessoas que retrata geram imagens que, apesar da sua aparência documental, estão na realidade despojadas da sua verdade testemunhal. Graciela Iturbide (Ciudad de México, 1942) ao longo de 4 décadas construiu uma obra intensa e singular, fundamental para compreender a evolução da fotografia na América Latina. Para Iturbide fotografar é um pretexto para conhecer. Assumindo a própria subjectividade, despojando a fotografia da sua hipotética verdade totalizadora. Iturbide documenta e fabula manifestando os paradoxos em que vivemos imersos. A sua obra nos faz participantes de uma reflexão sobre o Mundo onde o compromisso social não está dissociado de uma visão poética."
do catálogo do Festival
(imagem do Cartaz do Festival Cine 4+1)
muito bom doc GENPIN, de Naomi Kawase
uma outra visão do nascimento no Japão
excertos do fim-semana da cidade que não pára
Fotógrafo argentino-Japonês, Guillermo Ueno
da PhotoBA 11
Playas de Buenos Aires, Gian Paolo Minelli (as únicas Playas desde lado...)
Mapa de los Sueños de America Latina, Martín Weber
Retratos nocturnos, Alejandro Guyot
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
BA floresce
Confesso que tinha saudades :
da simpatia, da simplicidade, o bom gosto (em todo o lado),
dos detalhes que nos fazem sentir bem
da entre-ajuda verdadeira e espontânea (de conhecidos e menos conhecidos)
do desbloqueio das normas, do tempo solto, de ouvir e hablar porteño
de andar a pé em vez de carro, das escadas-rolantes de madeira do subte (e do passe baratinho)
das medialunas e piscos, do mate e do ceviche, da carne
da senhora dos legumes e vendas 24h de flores no passeio
do vendedor de plumas espanta-pó de Arenales
da vida nos parques de árvores gigantes e siestas na relva
dos passeadores de cães, dos mozos a distribuir cafés de bandeja na rua
dos carros antigos a circular, das lojas de pasta fresca e dos gelados de tradição italiana
da criatividade e estímulos diários* de uma cidade a florescer
florecer
É um risco que se corre.
Gostar demasiado desta cidade.
" Vim à procura da cidade. Encontrei a cidade nas pessoas"
como deixou em palavras amigas uma visita recente.
" Saudade, escreveu Neruda, é solidão acompanhada. Nós saímos de Buenos Aires muito mais acompanhados"
Pedro Santos Guerreiro, (Director do Jornal de negócios)
- outros projectos descobertos esta semana
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
vuelvo al Sur
sempre que se chega, tb a estranheza, que aos poucos se entranha...
o trailer verdadeiro está aqui
"as únicas certezas dignas de fé são as que tomam café de dúvidas a cada manhã."
Eduardo Galeano
. Viagem em boa companhia de leitura, Gandhi
. outro artista das medianeras de Buenos Aires, para espeitar
sábado, 15 de outubro de 2011
há dias que são uma caixilha de surpresas
1ºSimpósio de Economia Criativaconvento/tribunal da Boa-hora
começar na Experimenta
que sempre revela lugares novos que ninguém conhece
e desafia a outras iniciativas e perspectivas criativas,
mesmo com menos recursos
explorar a Tapada da Ajuda
em breve com obras a começar
e acabar a ver L´Atalante
filme anos 30 de um Realizador-Poeta
ciclos de clássicosdo Cinema do Nimas
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Ontem havia água
hoje há terra
amanhã que haverá?
Ninguém sabe ao certo.
Talvez deserto?
O planeta continua a girar.
(texto de instalação no jardim)
Abriu uma nova-linda livraria no bairro
a Babel juntou-se ao Fabrico infinito.
Que bom que é estar em Portugal
_ que calor, vou chapinhar!
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
tempo de cartas
a explorar o passado da família
a preparar um "livro de vida",
em celebração dos 80 anos da matriarca,
em breve.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
a Norte
Vale Mondego, rolo OM1
Foram dias de rio, de ver crescer e amassar pão, dos segredos do queijo e da horta, das amoras no caminho
" Não se deixe perturbar na sua solidão pelo facto de sentir desejos de a abandonar. Usadas com calma e reflexão essas tentações devem mesmo auxiliá-lo como instrumento capaz de alargar a solidão num país ainda mais rico e maior. Os Homens possuem para todas as coisas soluções fáceis e convencionais, as mais fáceis das soluções fáceis. Entretanto, é evidente que se deve preferir o difícil: tudo o que existe lá cabe. Cada ser se desenvolve e se defende à sua maneira e tira de sí próprio, a todo o custo e contra todos os empecilhos, essa forma única que é a sua. Conhecemos muito poucas coisas, mas a certeza de que devemos sempre preferir o difícil, nunca se deve abandonar. É bom estar só, porque a solidão é difícil. Se uma coisa é difícil motivo mais forte para a desejar. Amar também é bom, porque amar é difícil. O Amor de um ser humano por outro é talvez a experiência mais difícil para cada um de nós, o mais superior testemunho de nós próprios, a obra absoluta em face da qual todas as outras são apenas ensaios. É por isso que os seres humanos novos, novos em tudo, não sabem amar e precisam aprender. Com todas as energias do seu ser, reunidas no coração que bate inquieto e solitário, aprendem a amar. Toda a aprendizagem é uma época de clausura. Assim, para o que ama, durante muito tempo e até durante a vida, o amor é apenas solidão, solidão cada vez mais intensa e mais profunda. O Amor não consiste em uma criatura se entregar, se unir a outra logo que se dá o encontro. O amor é a oportunidade única de sazonar, de adquirir forma, de nos tornarmos um universo para o outro. É uma alta exigência, uma cupidez sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais largos horizontes. Quando o amor aparece, os novos apenas deveriam enxergar nele o dever de trabalharem em sí próprios. A faculdade de nos perdermos noutro ser, até nos entregarmos a outro ser, todas as formas de união, ainda não são para eles. Primeiro é preciso ajuntar muito tempo, acumular um tesouro.
(...)
Nunca, nem na morte, que é difícil, nem no amor, que é também difícil, aquele para quem a existência é uma coisa grave terá o auxílio de qualquer luz, de qualquer resposta já fornecida, de qualquer caminho previamente traçado. Não há regras gerais para nenhum destes deveres que trazemos ocultos em nós e que transmitimos aqueles que nos acompanham sem jamais os esclarecer. (...)
com todos os meus votos de felicidade,
Rilke
(Roma, Maio 1904) "

















